O Cais de São Francisco é um troço de doca de trabalho no rio de Portimão, a montante da grande marina, onde a pequena frota piscatória amarra entre marés. É daqui que largamos para a saída ao recife — passando os arrastões e os barcos da sardinha, saindo por baixo da ponte, em direcção ao farol e ao mar aberto. Para o panorama mais largo do que é, na prática, a pesca de fundo no Algarve — o que se apanha, para quem é, quanto custa — veja Pesca de Fundo no Algarve: O Que Esperar. Este é o guia local: onde nos encontra em Portimão, e como é um meio-dia a partir desta doca.
Onde Nos Vai Realmente Encontrar
Encontramo-nos no Clube Naval de Portimão, no Cais de São Francisco. Não é a Marina de Portimão. Esta é a confusão mais comum com que lidamos, por isso vale a pena ser claro. A marina é a grande bacia de iatismo na margem sul do rio, perto da Praia da Rocha — cheia de bares, restaurantes, o casino, o pontão. O Clube Naval fica a montante de tudo isso, na margem este do rio, escondido atrás da linha do comboio do lado da cidade de Portimão. Se der por si a passar por restaurantes e lojas de souvenirs, foi pelo caminho errado.
A referência mais simples: dirija-se ao antigo porto de pesca e à ponte ferroviária no centro de Portimão, e procure a pequena doca sinalizada Clube Naval de Portimão. A partir do centro da cidade são dez minutos a pé pela margem do rio.
O estacionamento é a dor de cabeça prática. Há algum estacionamento gratuito na rua nos acessos e um parque pago a um par de minutos a pé do portão. Em Julho e Agosto ambos enchem por volta do meio da manhã, e à tarde a marginal compete com o trânsito da praia. Se vier de carro no verão, dê-se margem.
A doca em si é uma doca de trabalho. Vai ver pequenos barcos de pesca portugueses com as redes empilhadas à popa, alguns barcos à vela, e a nossa frota no pontão dos visitantes. Firme debaixo dos pés, fácil de encontrar assim que estiver no portão.
O Recife
O recife em que trabalhamos fica a cerca de cinco quilómetros da costa — vinte a vinte e cinco minutos para fora, dependendo da ondulação. É uma faixa de fundo rochoso que corre mais ou menos paralela à costa, partida por manchas de areia e algas. A estrutura é o que importa: as rochas dão abrigo a peixe-isco pequeno, o peixe-isco atrai as espécies de recife, e as espécies fixam-se ali porque o alimento é fiável.
A corrente neste troço é suave na maior parte dos dias, e é por isso que o peixe assenta e fica. Temos vários pontos de fundeio dentro de um pequeno raio e escolhemos entre eles consoante a direcção do vento, a maré, e o que tem estado a picar nessa semana. O detalhe das espécies — o que vem à linha, em que estação, como come — está no post nacional. O que importa para o quadro local é apenas isto: o recife está suficientemente perto para não queimarmos a manhã na travessia, e suficientemente variado para haver quase sempre algum lado para largar uma linha.
O Ritmo do Meio-Dia
A saída é de quatro horas, doca a doca. Fazemos um turno da manhã e um turno da tarde, e são dias diferentes.
A saída da manhã é a calma. A luz é limpa, o vento costuma ser fraco até ao final da manhã, e o barco está mais firme à âncora. Larga-se da doca às nove, o recife está assente, e está de regresso à uma com a captura em gelo e o resto do dia ainda à frente. É o turno que recomendamos para famílias com crianças, para quem sofre de enjoo, e para quem vai pela primeira vez e quer a versão mais suave do dia.
A saída da tarde — largada às catorze horas — tem o seu próprio carácter. O vento sobe na maior parte dos dias de sudoeste, o barco trabalha um pouco mais à âncora, e em Julho e Agosto há uma hipótese real de uma trovoada do final da tarde a descer dos cerros do interior. Acompanhamos a previsão de perto; mudamos a saída ou devolvemos o pagamento se o tempo estiver genuinamente mau, e dizemos-lhe directamente quando é o caso. Em troca, a luz da tarde, no seu dia, é a melhor luz que se apanha nesta costa.
A nota do estacionamento de verão é genuína: em Julho e Agosto, conte vinte minutos extra além dos dez minutos de chegada antecipada. Mais vale tomar um café na doca do que andar às voltas à procura de lugar a cinco para as nove.
O Que Fornecemos vs O Que Levar
O barco está montado para que toda a gente possa pescar sem trazer nada. Fornecemos as linhas e canas, a isca e o gelo, água e alguns snacks, e tratamos da limpeza no final. Não há nada para comprar nem alugar.
O que levar: protector solar e chapéu, garrafa de água reutilizável, óculos de sol, e uma camada leve para o vento à ida e à vinda — mesmo em Agosto, a brisa em mar aberto morde. Sapatos fechados ou sapatos de convés são mais fáceis do que chinelos num convés molhado. Para a lista completa de bagagem em todas as nossas saídas, veja O Que Levar para um Passeio de Barco no Algarve.
Depois da Saída
A maior parte dos nossos clientes sai da doca à uma da tarde com uma geleira de peixe fresco e uma pergunta: e agora. A resposta local honesta é que se come o que se apanhou.
Se está a ficar num sítio com cozinha ou churrasqueira, leve-o para casa — sargo e dourada sobre brasas, com sal e um limão, é a refeição em torno da qual esta costa foi construída. Se não, as pequenas grelhas ao longo da marginal que ali estão há quarenta anos cozinham-lhe a captura ao estilo “rolha”. Pergunte pelo tipo de sítio onde o peixe vai directo do gelo para a brasa e o menu está num quadro de ardósia. Para mais sobre como as cozinhas locais tratam estes peixes, veja Cozinha Costeira Portuguesa.
Se o almoço não for prioridade, o resto de Portimão fica a uma distância de caminhada ou a uma curta viagem de carro. A Praia da Rocha — a longa praia ladeada de falésias a poucos minutos para sul — é a paragem óbvia, e numa tarde limpa as falésias e a água justificam a viagem por si só. O passeio pela marginal de regresso pelo antigo bairro piscatório é mais sossegado, com alguns cafés e a parte velha da cidade por detrás. Nada disto é longe. A cidade é pequena o suficiente para se andar.
Reservas
Pode reservar a saída em Passeio de Pesca de Fundo. Escolha o turno da manhã ou da tarde, escolha a data, e estaremos na doca à sua espera. O barco leva até dezasseis pessoas e, em pleno verão — sobretudo aos fins-de-semana — fica reservado com alguns dias de antecedência. Primavera e outono costumam ser mais fáceis em cima da hora, e a pesca é muitas vezes melhor.
Se já está no Algarve e quer ir esta semana, mande-nos mensagem — normalmente temos algo nas próximas quarenta e oito horas.